
"A dependência química não é contagiosa, mas é contagiante, no sentido que, quando existe um membro da família, usando drogas esse fato estabelece comportamentos familiares em função do usuário, deteriorando o bem estar individual e coletivo. Como exemplo podemos ver normalmente o dependente químico negando ou minimizando as consequências negativas de seu uso, de forma a manter protegida a sua drogaticção. Em paralelo vemos esse comportamento também na família, não para proteger a droga, mas para proteger-se da dor e do sentimento de impotência diante do comportamento-problema de um ser querido. Com frequência há um estabelecimento de uma dinâmica familiar adoecida, isso, na teoria sistêmica nós chamamos de co-dependência. A co-dependência corresponde a um conjunto de comportamentos e emoções desencadeadas quando se convive com um usuário de drogas e tem como principal consequência negativa a manutenção ao uso de drogas do adicto em família e a perpetuação do sofrimento familiar. Se você se identifica de alguma maneira, com o que leu, de-sê alguns minutos para responder as seguintes questões:
Você ficou a noite acordada esperando que seu filho ligasse ou voltasse da rua mesmo sabendo que ele nunca liga e nunca chega antes que o dia amanheça? Você já foi atrás dele para buscá-lo, preocupado com o que iria acontecer? Você acreditou nele quando jurou que ia parar, mas logo sentiu-se enganada, com raiva, pois não parou? Você abandonou sua rotina diária porque "precisa" preocupar-se com seu filho? Você deixou de lado as coisas que lhe davam prazer para "cuidar"de seu filho? Você acaba sempre dando dinheiro por medo de seu filho se "meter em mais confusões" ou para evitar retaliações por parte dele?
Se você respondeu "sim" em duas ou mais questões pode considerar a possibilidade de estar assumindo o papel de co-dependente na família. Nesse caso você talvez precise de ajuda para lidar com o problema que está enfrentando e consequêntemente ajudar o seu familiar a parar de usar drogas por meio de suas própria mudanças.'
Maria Carolina Holuigue Labra
Psicoterapeuta cognitivo-comportamental
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