quinta-feira, 31 de março de 2011
O problema da dependência química e o papel da Igreja
Há algum tempo a mídia televisiva em horário nobre, era veiculada uma
matéria que chocou mais uma vez a sociedade brasileira.“Não tenho como
segurar esse menino em casa se não for assim, colocando essas correntes nele...”
foram mais ou menos as palavras proferidas por uma senhora demeia idade, de classe baixa, moradora da periferia de uma de nossas grandes
cidades. Vale salientar que tal comentário ela fazia referindo-se a seu filho,
um jovem saído da adolescência e que conhecera o crack
(Narcótico produzido a partir da pasta-base da cocaína, bicarbonato de sódio e
outras substâncias) tornando-se dependente dele.O contexto vivencial daquela
senhora, infelizmente é o mesmo de milhares e milhares de brasileiros e
por que não dizer de famílias inteiras ao redor do mundo. Digo
famílias inteiras porque quando um membro da célula mater da
sociedade é atingido pela dependência química, não importando a categoria dessa
droga, ou seja: Lícita ou ilícita, toda a família é envolvida e sofre as conseqüências
desse mal. Quando falamos sobre o crack, a maconha, o êxtase, a cocaína,
o álcool ou quaisquer tipos de psicotrópicos, precisamos entender que lidamos
com uma crise sem precedentes e de conseqüências desastrosas para
todas as nações do planeta. Não podemos tratar esse tema como casos
isolados, ou cair no grande erro de setorizar o problema determinando sua
causa como uma questão de educação, má distribuição de renda ou
falta de planejamento estratégico de alguns governos para a prevenção
e correção desse mal. Torna-se essencial a percepção de que a dependência
química é um tema mundial e atinge todo aquele que a desafia, fazendo uso
ainda que por curiosidade de qualquer uma de suas formas dantes descritas.
Em meio a essa macro-visão do problema da dependência química, esta
inserida como uma luz no fim do túnel a igreja.
Como um vibrante defensor e proclamador do Evangelho de Cristo, enxergo
naquela que proferimos ser nossa regra de fé e prática, a saber: a Bíblia,
a única esperança para a transformação de uma sociedade que perde a cada
dia seus filhos, pais e mães para as drogas. Essa convicção esta baseada no
texto do evangelho de João que nos diz: “Se, pois, o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres. (Jo 8:36).
Creio que é fator indispensável ao homem que luta contra a dependência
química, reconhecer que precisa de ajuda nessa batalha e que Deus em sua
infinita misericórdia, não só dará o suporte espiritual a tal homem que lhe
suplica como também, levantará outros que se colocarão a serviço da
restauração física, mental, emocional e social deste.
A igreja de Cristo sobre a terra já trava esta batalha há muito tempo, algumas
de forma discreta e perseverante, outras com maior evidência na sociedade,
mas ambas caminham com o propósito de ser soldado ativo e incansável nessa
batalha.
Ainda que saibamos da promessa de Jesus em sua palavra, precisamos entender
que Ele sempre utilizou recursos sobrenaturais e naturais e continua a fazê-lo ainda
hoje, para manifestar o seu cuidado por sua criação. Em II Reis capítulo vinte, Deus
cura o Rei Ezequias de uma úlcera mortal, mas faz isso através de seu servo o
profeta Isaías e ainda utilizou uma pasta de figos para tratá-lo. No Evangelho de
Mateus no capítulo catorze do verso catorze ao vinte e três, Jesus realizou um
dos milagres mais surpreendentes relatados no Novo Testamento, Ele alimenta
mais de cinco mil homens além de mulheres e crianças de forma sobrenatural,
no entanto, fez Ele questão de lançar mão dos recursos naturais que estavam à mão
de seus discípulos (cinco pães e dois peixes).
Considerando tais observações, entendo que a igreja tem um papel fundamental
na libertação do homem da dependência química, e isso se deve ao fato de que ela
é o canal para fazer conhecer ao homem o poder do evangelho libertador e
resgatador de Jesus, que é a parte sobrenatural do processo terapêutico. Aliado
a isso, e nunca sobreposto ou independente disso, esta a ação acolhedora,
disciplinadora e social que acompanha o ato de cuidado.
Para que as atividades acima descritas possam desenvolver-se de forma eficaz, a
igreja pode e deve capacitar-se com recursos inerentes aqueles que anseiam servir
com qualidade nessa área (cursos, profissionais qualificados, voluntários etc.).
Deve também, buscar parcerias que viabilizem cada uma delas (Governo, prefeituras,
secretarias de saúde) trazendo à sociedade como um todo a assumir a responsabilidade
de estender a mão e ajudar a retirar seus pares das garras desse monstro devorador de
vidas.Creio na igreja de Jesus como peça fundamental no projeto de resgate das vidas
hoje laçadas pelas drogas. Creio em uma sociedade e um estado que precisa ser
sacudido e mobilizado para fazer parte desse projeto. Precisamos dizer não às drogas,
mas precisamos acima de tudo dizer sim a Jesus!
Joésio Gomes de Oliveira
quarta-feira, 30 de março de 2011
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